02-12-2012
A Universidade de Coimbra (UC) desenvolveu modelos de formação de técnicos, para aumentar a eficiência energética em salas de servidores e 'data centers', que consomem, no mundo, "o equivalente à energia gerada por 30 centrais nucleares", de acordo com a agência Lusa, citada por vários órgãos de comunicação social.
No âmbito do programa europeu 'PrimeEnergylT', a UC, foi, através do Instituto de Sistemas e Robótica (ISR), a instituição escolhida para "desenhar e implementar o plano de formação de peritos em toda a Europa", para aumentar a eficiência energética nas salas de servidores e 'data centers', disse à agência Lusa Carlos Patrão, coordenador da investigação.
Os investigadores do ISR da UC, explicitou Carlos Patrão, "forneceram as ferramentas necessárias para habilitar os técnicos e as indústrias a adoptarem as melhores soluções, aos níveis energético e ambiental", quando necessitarem de "desenhar ou de adquirir equipamento na área das tecnologias de informação e comunicação", incluindo "servidores, armazenamento de dados, redes e infraestruturas".
Dessa investigação resultaram um 'Guia para aquisição de equipamento eficiente' - no qual são estabelecidos "critérios para cadernos de encargos, de forma a encontrar soluções energeticamente eficientes" - e dois manuais, um de boas práticas e outro tecnológico.
É muito importante, salientou, "uma mudança de cultura", pois "cada vez mais as empresas da indústria das tecnologias de informação e comunicação procuram oferecer mais e novos serviços baseados na internet, implicando consumos energéticos brutais".
A Google afirma que "os seus utilizadores podem estar uma vida inteira sem apagar um único email da sua conta", em "cada minuto, 60 horas de vídeo são carregadas no YouTube" e "são enviados 294 mil milhões de emails por dia", exemplificou Carlos Patrão.
"É espectável que em 2020, o sector das tecnologias da informação e comunicação já possa ter emitido mais gases efeito de estufa que toda a aviação comercial", sublinhou o investigador.
O plano de formação estabelecido pelo ISR já foi aplicado em Portugal, Espanha, França, Itália, Alemanha e Áustria, acrescentou o investigador, que coordenou o estudo.
Em Portugal, a formação já ministrada envolveu cerca de 150 técnicos, entre "gestores de energia e infraestruturas, gestores de redes, engenheiros, consultores e responsáveis pela aquisição de equipamento", adiantou.
Com um orçamento global de 1,2 milhões de euros, o projecto foi desenvolvido ao longo dos últimos três anos e coordenado pela Agência de Energia da Áustria.
A implementação do plano em Portugal envolveu, além da equipa de investigadores do ISR da UC, a IBM, a Schneider Electric e a Ordem dos Engenheiros.
Lusa (Sol)

