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Entrevista: Olhão conquista prémio europeu e persegue autosustentabilidade

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Entrevista: Olhão conquista prémio europeu e persegue autosustentabilidade 29-05-2013

Olhão recebeu, a 17 de maio, durante a Conferência Internacional “Mediterranean Energy Cities”, em Chipre, o galardão EAA (European Energy Award). A autarquia obteve a quarta melhor pontuação entre 72 municípios dos sete países da bacia do Mediterrâneo (Itália, Espanha, Grécia, Chipre, Malta, Portugal e Eslovénia). O vice-presidente da câmara diz que a eficiência energética é uma das prioridades do município e que no próximo mandato, se vencer as eleições, quer fazer com que a autarquia produza pelo menos metade da energia que consome.

EE: Olhão conseguiu 64% da pontuação no conjunto dos parâmetros em análise no concurso. Quais foram aqueles em que se destacou?
António Pina: Um dos pontos que mais atraiu esta avaliação foi as experiências que temos na área da eficiência dos equipamentos municipais. Falo da biblioteca, das piscinas e do auditório, onde temos um projeto de microgeração de energia, mas também medidas que os municípios estão a adotar em termos de planeamento. Valorizaram bastante também o facto de estarmos a concluir o nosso Plano de Mobilidade e Transportes de Olhão, que assenta muito na eficiência energética.

Em que é que consiste esse plano?
Tenta perceber quais são os fluxos das pessoas, quer dentro da cidade, quer para fora da cidade, e tenta projetar condições para que os usos de meios de transporte públicos e  de meios que não produzem CO2 sejam mais fáceis e mais atrativos, promovendo-os.

Por exemplo, mais autocarros e a promoção do uso da bicicleta?
Sobretudo a promoção da bicicleta e o a pé conjugado com os circuitos urbanos.

O plano inclui também veículos elétricos?
No plano prevê-se também a atração de investimento privado na colocação em determinados pontos-chave da cidade de veículos elétricos.

Quando é que começaram a implementar medidas de eficiência energética?
Desde o mandato anterior.

Porque é que a nível nacional apenas concorreram concelhos do Algarve [os outros são Vila do Bispo, Vila Real de Sto. António, Albufeira e Aljezur, igualmente distinguidos]?
Penso que aqui tem a ver com a boa dinâmica da nossa associação para a energia. A AREAL [Agência Regional de Energia e Ambiente do Algarve], que é uma associação onde estão também municípios, tem uma boa e grande dinâmica e terá concorrido a este programa europeu.

Para além das medidas atrás referidas, que outros planos têm nesta área?
No futuro queremos ser muito arrojados nesta área. A questão da eficiência energética vai ser um dos temas que os próximos fundos comunitários mais vão evidenciar (...) e, considerando que o município de Olhão tem uma fatura da eletricidade na ordem de 1,4 milhões de euros, o que representa mais de cinco por cento do orçamento do município, faz todo o sentido evoluir para uma quase autosustentabilidade de produção energética. Essa será a nossa aposta no futuro. Para além dos edifícios municipais - onde já temos a experiência e a perceção de qual é a rentabilidade desses investimentos, nos edifícios que já referi - tencionamos ir mais longe, mesmo no que diz respeito à iluminação pública. Queremos aproveitar os fundos numa parceria, naturalmente com os prestadores de serviços de energia, uma vez que também temos agora a questão da liberalização do mercado, e porque não que a iluminação pública seja feita através da produção fotovoltaica?

Querem ser autossustentáveis. Isso será para quando?
Queremos procurar essa autosustentabilidade no próximo mandato. Há eleições e eu, como candidato a presidente do novo executivo, pretendo ter isso como um dos objetivos do novo exercício A autosustentabilidade é difícil a 100 por cento, mas queremos que esse seja o caminho e talvez nos próximos quatro anos conseguir pelo menos que 50 por cento da energia que é consumida pelo município ser produzida pelo município, que é um objetivo perfeitamente alcançável desde que entendamos que essa é uma prioridade.

De que forma é que têm envolvido a população na temática da eficiência energética?
Temos trabalhado nos últimos tempos com a população mais no sentido de fazer o esclarecimento sobre como adaptar-se à liberalização do mercado. Essa é que tem sido a nossa preocupação. Mais do ponto de vista do consumidor, saber enquadrar e aproveitar da melhor forma a liberalização do mercado e até também para ter alguns cuidados. Estas sensibilizações que temos feito na área da eletricidade e na área do gás, mas a questão da eficiência energética ainda não tem sido trabalhada a esse nível.

Mas no futuro pretendem sensibilizar a população para medidas de eficiência energética?
Essa missão, julgo que é um dos objetivos da AREAL, em conjunto com os municípios. A questão da eficiência energética, acima de tudo, é uma iniciativa de gestão pessoal. Aí o papel dos municípios pode vir a ser essencialmente o de transpor aquilo que são as nossas experiências e os nossos ganhos e dar-lhes como bom exemplo, especialmente aos grandes condóminos, naquilo que eles também poderão fazer.


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