Substância comum pode ajudar a armazenar energia de fontes renováveis

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Substância comum pode ajudar a armazenar energia de fontes renováveis 03-07-2013

O dióxido de titânio (TiO2), uma substância química vulgarmente utilizada nas indústrias, pode ajudar a armazenar a energia produzida através de fontes renováveis, segundo um estudo publicado esta segunda-feira na Austrália.

Esta substância usada, por exemplo, como pigmento branco em pastas de dente, plásticos e protetores solares, pode servir para a construção de dispositivos de armazenamento de energias renováveis, segundo a química Yun Liu, da Universidade Nacional Australiana.

As fontes renováveis, como a solar ou eólica, produzem eletricidade intermitentemente, logo, a sua integração à rede elétrica representa um grande desafio, explicou a pesquisadora citada no Diário Digital.

Porém, acrescentou, o armazenamento desta energia, com a ajuda desta substância química, poderia contribuir para equilibrar a quantidade de energia que alimenta a rede.

Liu e os seus companheiros de investigação tentaram durante vários anos encontrar o material perfeito para incluí-lo nos condensadores elétricos, dispositivos passivos utilizados para armazenar energia.

Para isso, os cientistas propuseram construir estes condensadores mediante a separação de dois elétrodos metálicos com um isolante (material dielétrico).

«Se duas moedas forem separadas com um pedaço de papel já se tem um condensador elétrico, embora o papel tenha uma mínima capacidade de armazenamento de energia», explicou Liu.

A química australiana explicou que a sua equipa procurava um material que tivesse três características: uma constante dielétrica muito elevada para que possa armazenar muita energia, uma baixa perda dielétrica para não desperdiçá-la e a capacidade de resistir a uma grande gama de níveis de temperatura.

Encontrar este material não foi fácil porque geralmente podiam ter uma grande constante dielétrica, mas não capacidade de evitar a perda de energia ou de resistir a diversas temperaturas.

Após cinco anos de trabalho, a equipa científica formada também por Ray Withers, descobriu que o também chamado óxido de titânio, manipulado a nível molecular, cumpre com todos os requisitos.

«É um sonho que se tornou realidade», afirmou a cientista da universidade australiana, considerando que este material que se encontra em estado natural no mundo todo também pode ser utilizado em veículos eléctricos e tecnologia militar e espacial.

«É um material simples e abundante, e a Austrália actualmente domina o mercado exportador deste produto», avaliou Liu, que espera trabalhar em breve nas aplicações do dióxido de titânio.


EE / Diário Digital

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