08-08-2013
A equipa liderada por Tatiana Correia desenvolveu, no Laboratório Nacional de Física britânico, um condensador que suporta temperaturas mais elevadas.
A cientista reivindica que este novo equipamento, cuja patente já foi registada, vem resolver uma das dificuldades técnicas que até agora estava a travar a indústria automóvel e «desempenhará um papel vital no progresso para a massificação do mercado dos carros elétricos».
Os condensadores são essenciais para o armazenamento de energia e para a conversão da corrente contínua, gerada pela bateria em corrente alternada, necessária para fazer o motor funcionar.
Os existentes não são adequados para os carros elétricos porque não suportam bem as temperaturas elevadas geradas no processo, como refere o Laboratório Nacional de Física britânico (NPL, na sigla inglesa).
O condensador desenvolvido naquela instituição, com material cerâmico, aguenta mais de 200 graus centígrados, muito acima dos 125 graus dos concorrentes, destaca o NPL.
«Uma das principais limitações dos carros elétricos e híbridos, além do problema da bateria, está relacionada com as temperaturas extremas a que os sistemas eletrónicos operam, nomeadamente os conversores de energia», explicou Tatiana Correia.
Estes sistemas, segundo a cientista, integram centenas de condensadores baseados em eletrólitos que não toleram temperaturas acima dos 70 graus centígrados e, por isso, têm um tempo de vida muito limitado, o que se traduz em custos de manutenção elevados.
Ao suportar temperaturas mais elevadas, a tecnologia agora desenvolvida permite eliminar os sistemas de refrigeração complexos, usados para arrefecer os condensadores e outros componentes elétricos.
«Neste projeto inventámos uma material totalmente novo baseado em cerâmica - porque também é mecanicamente mais robusto do que os condensadores de eletrólitos -, que pode operar em altas temperaturas, com um aumento significativo de densidade de energia, que está de acordo com o programa de sustentabilidade ambiental, no qual o uso de chumbo irá ser totalmente banido», vincou.
Para o condutor, resumiu Tatiana Correia, este avanço tecnológico traduzir-se-á numa maior distância percorrida pelos carros elétricos e em menores custos de aquisição, porque a produção será mais barata e as despesas de manutenção mais baixas.
Outras indústrias, no entanto, como a das energias renováveis , também poderão retirar benefícios, vincou a cientista.
O condensador foi desenvolvido no âmbito de um projeto de Estratégia Tecnológica para desenvolver condensadores para armazenamento de energia, que envolveu parceiros como a Universidade Queens, de Belfast, a Universidade Queen Mary, de Londres, e as empresas Syfer e Valeo.
EE / TVI24

